sábado, 25 de dezembro de 2010

Nebulosa



vago incerto no kosmos
preso ao nó de estrelas
desato o sentimento da ânsia

e me liberto

sigo pelas muralhas das galáxias
e num átimo
o eterno pensamento liquefaz-se
gerando ecos pontuais

regenero meu sol interior, porém
aturdido em explosões
o que sobra nem me resta

volto a fita na esperança do replay

domingo, 7 de novembro de 2010

O chá




Ei, você
Alucinante na varanda
Criança doida para ver
Os discos voadores
entre os temporais


Ei, você
Leva na mão um talismã
E apesar de acreditar em Deus
tem o seu
e vive entre os fungos


Vem viajar
Leva o sorriso do mundo pros campos
Desanuviar
A estrela maior é da Constelação de Aquarius

um,
dois,
três,
já!!!


Ei, não vê?
Aquela mão abrindo a porta
Surge a criatura torta
Por entre o sorriso de nuvens
o chá

domingo, 19 de setembro de 2010

Hey!


Hey!
Para pra pensar
Até quando seremos bois e vacas
no açougue humano?

Melhor seria o pátio de insanos
Melhor seria teu sorriso interno
Melhor seria o doce engano
O genial imprevisto que arrebata a alma
E nos lança na praça real
dos mendigos literários
Os leões ao avesso
Sim, respira teu amor pelos poros

Hey
Até quando? Até quando?
Não mais a vida de plástico
Vida de ácido
Pensamento de miolo de pão
Mastigado pelo jornal da TV
Folhetim barato, um tecido velho da moda
O show das aparências na vitrine do shopping
e a platéia circense, zumbi
Os sons controlados, medidos, reprimidos

Guarda essa caixa de fracassos
e tenta ser um ponto luminoso no mundo
mesmo que os ratos roam a roupa do rei de Roma

sábado, 11 de setembro de 2010

em marte, em vênus, na avenida Rio Branco

O capacete do astronauta é forrado de mousse de rosas e aléias
O aroma espacial / especial, conduz a mundos bem distantes da velha terra
Então o que fazer da vida (aqui em nós, limitados) que se dissipa como um sopro, além céus?

Besuntar os pães & os corações de consolo e geléias

A valsa "Acrílico" derrama seu tapete de violinos derretidos
As crisálidas do tempo amargam ressecadas no catre
Um olho pendurado diz "Oi"

...e o astronauta se esquece, se eterniza.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

capítulo


ando comigo, deito em segredo
acaricio meus devaneios de alcova

o círculo vicioso me corrói, feito ferrugem
até onde me alcanço? até onde posso?
meu limite é véu, é capítulo obscuro

é obra em eterna construção

sábado, 4 de setembro de 2010

a caixa promocional das facilidades neuróticas



mastigo as tardes que, em cálidos ares, quase não vejo passar.
fecho as janelas da casa e abro as minhas.
um besouro não passa voando. existe algo errado.
quero compreender melhor essas pessoas.
elas vão e vem, vem e vão, e não olham para lugar algum.
não sabem que estão ali, não olham para outros e nem para si.

são zumbis adormecidos na caixa promocional das facilidades neuróticas.
é hora de comer o muffin. é hora de comprar a calça.
é hora de sorrir pro amigo.
é hora de beber no bar. é hora de visitar o quase morto.

...ou será que nós já morremos?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

se quiser te mostro um lugar que fica bem perto do arco-íris



veja só
só estradas
e qual caminho vai dar em nada?

através do lago azul
a bússola se perdeu
e o mapa da inconsciência
traçou linhas no horizonte

veja bem
se tem coração
a trilha se abre na sua cabeça

e um mundo em expansão
vai fazer a ligação
mutante planeta
na dança do éter

se quiser te mostro um lugar
que fica bem perto do arco-íris
é só seguir

não precisa tirar seu passaporte
nem arrumar as malas
é só sentir

freedom


vem viajar
saia de você
vem ver o sol

há uma vez
- uma vez -

essência


O poente no céu da boca.
O olho de vidro.
O coração-serpente que vagueia.
Por onde andará?
Por onde andaremos?
Esquecemos das mãos, das asas e da aura.
Temos qualquer destino agora.
Mas precisamos recuperar a magia.
A essência de arco-íris, mas não qualquer coisa, dita assim, ao léu.
Tudo : um momento, um átimo, um sorriso.
Strawberries. Lindos, pelo campo.
Deglutir a alma.
Vomitar prazeres.